A pobreza e o autoritarismo do governo (junto ao seu subsequente controle sobre a mídia e restrições à liberdade de expressão) são os principais problemas que afetam a população de Oaxaca, um estado composto, predominantemente, por comunidades indígenas, ao sul do México.
A imigração de milhares de pessoas de Oaxaca para os Estados Unidos, desde os anos 70, assim como a falta de atenção do governo às suas comunidades nativas, levou a Frente Indígena de Organizações Binacionais (Indígena de Organizaciones Binacionales, FIOB) a desenvolver estratégias de comunicação que servem como ferramentas para promover a defesa binacional dos direitos das comunidades indígenas participantes.
A população total de Oaxaca é estimada em aproximadamente 3,5 milhões, dos quais 500 mil são imigrantes vivendo fora da cidade, em diferentes partes dos Estados Unidos ou no México, incluindo a Cidade do México, Estado do México, Sonora, Sinaloa, e Baixa Califórnia.
Fundada há 17 anos por imigrantes indígenas, a FIOB tem aproximadamente 5,000 membros oficiais no México e Estados Unidos. Os membros da FIOB vêm de vários grupos étnicos, incluindo Mixtecos de Oaxaca e Guerrero, Zapotecos, Triquis, Mixes, Chatinos e Zoques de Oaxaca e Michoacán. Os membros são organizados em comitês comunitários nas regiões de Mixteca em Oaxaca, Central Valleys e Istmo, assim como em Cidade do México, Estado do México e Baixa Califórnia.
A FIOB também está presente em Los Angeles, Fresno, Santa Maria, Greenfield, Hollister, San Diego, Santa Rosa e Merced, na Califórnia. Grupos de apoio também podem ser encontrados nos estados de Oregon, Nova Iorque, Arizona e Washington.
A FIOB foi fundada em 1991 em resposta às necessidades das comunidades de imigrantes nos Estados Unidos e das comunidades nativas em Oaxaca. A organização passou por vários estágios e, atualmente, está trabalhando em nível binacional para defender as comunidades indígenas.
Estratégias de Ativismo Social
As estratégias ativistas da FIOB estão alinhadas aos valores de justiça, democracia e igualdade para nações indígenas. Também funciona para defender os direitos das comunidades indígenas à autonomia política, para melhorar seus padrões de vida e também para respeitar os direitos humanos relacionados às suas terras, recursos naturais e cultura.
A organização luta pelos direitos dos povos indígenas tanto dentro como fora do território mexicano e, além disso, organiza de forma autônoma a defesa, o resgate, a difusão e a consolidação dos seus costumes, línguas e culturas tradicionais.
A FIOB é contra qualquer tipo de opressão, injustiça, discriminação, abuso ou exploração aberta da mão-de-obra indígena.
Em acordo com os principais documentos da FIOB, a organização luta pela unidade e comunhão de trabalhadores imigrantes e não-imigrantes e respeita suas próprias formas de organização.
A FIOB procura manter relações de respeito com todas as organizações sócio-políticas, culturais e religiosas que defendem valores de justiça, liberdade e dignidade humana. Ela trabalha em conjunto a outros grupos minoritários nos Estados Unidos e em outras comunidades no mundo, trabalhando para libertá-los da fome, injustiça, pobreza, discriminação, marginalização, opressão política e todas as formas de violação dos direitos humanos.
Objetivos:
- Facilitar a comunicação interna para fortalecer o trabalho das organizações binacionais.
- Criar laços entre as comunidades de Oaxaca no exterior e as comunidades que lá permanecem.
- Fortalecer ligações entre a FIOB e seus aliados em nível local e binacional em todo o continente.
- Informar e influenciar a opinião pública com atenção a questões chave, tais como direitos dos imigrantes e direitos indígenas em Oaxaca.
- Ter um impacto maior em diferentes níveis dos governos mexicanos e Americano.
|
Organizando a Imigração
A imigração da região de Mixteca em Oaxaca, para o norte do México, Califórnia e outras partes dos Estados Unidos, cresceu dramaticamente durante os anos 70. Como resultado, tornou-se necessário que os imigrantes se organizassem para se defenderem contra o constante abuso de direitos dos seus empregadores.
Em 1984, formou-se, em Culiacán, Sinaloa, a Organização do Povo Explorado e Oprimido (Organización del Pueblo Explotado y Oprimido, OPEO) em resposta às difíceis condições de trabalho nos campos de cultivo. Também foram formadas organizações lutando para apoiar imigrantes de Oaxaca além da fronteira na Califórnia.
Várias organizações de imigrantes nos Estados Unidos reuniram-se por um período de uns cinco anos (1986-1991) e, eventualmente, decidiram formar uma única organização. Em 5 de outubro de 1991, a Frente Binacional Mixteco-Zapoteca (FMZB) foi formada em Los Angeles e, três anos depois, ficou conhecida como Frente Indígena Binacional de Oaxaca (Frente Indígena Oaxaqueño Binacional, FIOB).
Durante a 5ª Assembléia Geral Binacional ocorrida em março de 2005, em Oaxaca, vários grupos indígenas de Guerrero e Michoacán pediram para fazer parte da FIOB. Os membros da organização decidiram manter a sigla FIOB mas mudaram o nome da organização para "Frente Indígena de Organizações Binacionais" (Frente Indígena de Organizaciones Binacionales).
Ligações de Comunicação
Conquistas da FIOB
- Publicação do jornal La Puya Mixteca (1991), do boletim El Tequio e o binacional tri-anual El Tequio (2006-hoje).
- Produção do programa de rádio "La Hora Mixteca" transmitido na língua mixteca em San Joaquín Valley, Califórnia (1995-hoje).
- Produção do programa de televisão El Despertar Indígena, transmitido por KNXT em Fresno desde 2000.
- Co-produção do programa de rádio Nuestro Foro, transmitido na estação de rádio da comunidade KFCF 88.1. O programa toca em assuntos como imigração, participação civil, desenvolvimento social e economia.
- Em 1997, a FIOB estabeleceu um site que publica informações relacionadas às comunidades que permanecem em Oaxaca e às comunidades de (http://www.fiob.org).
- De 2003 a 2005, a FIOB colaborou com a produtora de filmes chatina Yolanda Cruz na produção de dois documentários, "Mujeres que se organizan avanzan" e "Sueños Binacionales", que demonstra a força da FIOB tanto nas comunidades de origem e nas comunidades de imigrantes.
- Devido ao conflito social no estado de Oaxaca, a FIOB, na Califórnia, organizou protestos e recebeu atenção da mídia (incluindo rádio, televisão e jornais) para o anúncio de atividades que estariam organizando.
|
O senso continuado de pertencimento que os imigrantes indígenas sentem em relação às suas comunidades de origem tem sido um dos fatores criadores da necessidade de comunicação constante entre aqueles que permanecem em Oaxaca e seus colegas membros de comunidades que residem em outros lugares.
Quando as comunidades de imigrantes estavam coordenando a formação das suas organizações sociais, eles se comunicavam via correspondência; algumas vezes, as cartas demoravam até duas semanas para chegar. Também eram mantidas comunicações por telefone.
As organizações que se uniram para formar a FIOB continuaram a se consolidar e criar suas próprias formas de comunicação em um nível amplo.
Essa era a situação em 1991, quando membros do Comitê Cívico Popular Mixteco (Comité Cívico Popular Mixteco, CCPM), uma das organizações fundadoras da FMZB, começaram a publicar La Puya Mixteca, que se transformou, mais tarde, no boletim El Tequio, que foi impresso em estêncil.
Desde 2006, O Tequio foi transformado em uma revista trimestral com circulação binacional, que fala sobre os projetos da FIOB, sobre as comunidades, assim como certos assuntos de interesse nos Estados Unidos e México.
Desde 1995 na área de San Joaquín Valley, imigrantes Mixtecos e Zapotecas podem ouvir a rádio em suas próprias línguas através de um programa chamado La Hora Mixteca, um programa semanal de 4 horas que existe até hoje e é apresentado por Filemón López, um mixteco.
Em fins dos anos 90, a FIOB produziu um programa de televisão, El Despertar Indígena transmitido pelo Canal KNXT 49, que é da arquidiocese de Fresno. O programa foi apresentado pelo antigo coordenador geral da FIOB, outro mixteco, Rufino Domínguez, até 2000.
A FIOB também era uma co-produtora do programa de rádio Nuestro Foro, que era transmitido na estação de rádio comunitária KFCF 88.1, e lidou com temas como imigração, participação civil, desenvolvimento social e economia.
Em 1997, a FIOB estabeleceu um site que publicava informações relacionadas tanto às comunidades de origem como para as comunidades imigrantes (http://www.fiob.org).
Em 2003, a produtora de filmes chatina Yolanda Cruz terminou o documentário "Mujeres que se organizan avanzan", que reflete a organização das mulheres mixtecas, membros da FIOB no município de Juxtlahuaca, que organizaram contas de poupança comunitárias para ajudá-las a enfrentar a crise econômica e como uma alternativa à imigração.
Yolanda Cruz terminou outro documentário em 2005, "Sueños Binacionales", que relata a força organizacional dos imigrantes mixtecos que trabalharam nos setores de agricultura da Califórnia. A primeira seção do documentário mostra Rufino Domínguez (coordenador binacional da FIOB por 8 anos), que fala sobre a campanha contra a Chevron, a empresa responsável pela contaminação de vários lares de imigrantes mixtecos.
Com o passar do tempo, os imigrantes encontraram outras formas de comunicação, como a internet, Skype e webcams, entre outras.
Devido aos diferentes recursos de comunicação que a FIOB tem tido à sua disposição em vários pontos da sua existência, ela foi capaz de desenvolver estratégias em uma gama de níveis: comunicação interna na organização, assim como ligações com as comunidades de origem, outras comunidades ou grupos aliados, opinião pública e geradores de políticas públicas, isto é, diferentes níveis de governo tanto no México como nos Estados Unidos.
Ressonância
Na Califórnia, em 2006, a FIOB fez um lobby com os legisladores do estado em favor da proposição HB 225 CS, uma iniciativa que ordenaria rancheiros a prover transporte seguro para os seus trabalhadores (incluindo cintos de segurança para cada passageiro), pois vários acidentes tiraram as vidas de vários trabalhadores diurnos no passado.
Na cidade de Greenfield, no início de 2000, imigrantes indígenas eram vítimas frequentes de ataques violentos e outras agressões físicas, que não foram reportadas devido ao medo de retaliação da polícia.
O atual Chefe de Polícia em Greenfield, John Grebmeier, admitiu que a comunidade de imigrantes tinha mais medo da polícia do que de criminosos. No entanto, depois de mais de cinco anos como Chefe de Polícia, Grebmeier deu um passo à frente, exigindo que seus oficiais adotassem uma conduta respeitosa e estabelecendo um requisito, segundo a qual os novos empregados deveriam falar pelo menos o básico do espanhol.
Grebmeier afirma que antes de as mudanças serem feitas, os imigrantes eram parte de uma "comunidade invisível que era vulnerável a assaltos, estupro e homicídio...", mas ele ressaltou que ele decidiu aplicar a lei e conservar o respeito pelos indivíduos.
Esse processo de mudança em que a polícia não é vista com terror tem um papel importante na colaboração entre imigrantes indígenas, membros da FIOB em Fresno, assim como outros imigrantes que formam parte dos Trabalhadores Unidos de Fazendas (United Farm Workers, UFW), a polícia e outros membros do conselho de Greenfield.
Intersectando Projetos
Em meio às difíceis condições vividas pelos imigrantes, entre as quais estão a exploração do trabalho, a falta de serviços básicos e uma atitude hostil às comunidades, tem sido necessário trazer visibilidade às questões, assim como organizar e mobilizar.
Neste contexto, o movimento para os direitos humanos dos Estados Unidos promovido por essas comunidades faz um paralelo com movimento para os direitos das comunidades de imigrantes no México, assim como com os movimentos nas comunidades de imigrantes de origem.
As estratégias de comunicação da FIOB criaram espaço para reuniões de comunidades, campanhas de mídia para denunciar ou trazer a atenção a questões específicas e conferências de imprensa, sempre com parâmetros bem definidos para quem irá dirigir essas ações. O aspecto da comunicação é, na verdade, uma estratégia complementar a outras formas de luta, como mobilizações e protestos, entre outras.
A Situação em Comunidades de Origem
A característica principal do governo de Oaxaca—liderado pelo governador Ulises Ruíz, que, em junho de 2006, confrontou um movimento social que deu passagem para a criação da Assembléia Popular de Povos de Oaxaca (Asamblea Popular de los Pueblos Oaxaqueños, APPO)—é o controle econômico, político e social, na tentativa de dominar as comunidades locais. A eleição de Ruíz foi questionada e a natureza antidemocrática da sua administração tem sido publicamente criticada desde que assumiu o poder em dezembro de 2004.
Entre as táticas utilizadas pelo governo de Oaxaca para controlar as comunidades locais está a implementação de programas de desenvolvimento social. A distribuição de recursos estatais e federais, que deveria servir para ajudar no desenvolvimento das comunidades, tem sido usada para pressionar essas mesmas comunidades a aceitarem condições específicas determinadas pelo estado. Em muitos casos, o governo do estado manteve uma política de intransigência e fechou as portas para as comunidades que protestaram contra essas políticas.
Em Oaxaca, existem 570 municípios, dos quais 418 elegem suas próprias autoridades através de um sistema conhecido como Usos y Costumbres (uma forma tradicional de governança baseada em costumes indígenas), enquanto 152 deles participam de eleições baseadas em partidos políticos estabelecidos. Dos 152 municípios, o Partido Revolucionário Institucional, PRI, governa em 90.
Embora a maioria dos municípios não sofra interferência direta por parte de partidos políticos, o governo do estado coloca condições para fundos e recursos públicos ou emprega políticas clientelistas, utilizando programas de desenvolvimento criados para melhorar condições básicas de vida, tais como habitação ("Piso Firme", um projeto para instalar piso de cimento em casas rurais), educação (alfabetização), saúde (clínicas móveis) e outros programas como o "Oportunidades" (um projeto criado para apoiar mulheres e seus filhos em extrema pobreza) e o "Adultos Mayores" (um projeto que tem como alvo os cidadãos idosos), entre outros que derivam tanto do estado como do governo federal.
Frente às estratégias de controle do governo, as comunidades desenvolveram suas próprias estratégias para defender seus direitos. No contexto de conflitos sociais mais amplos conduzidos pela APPO desde 2006, imigrantes de Oaxaca têm conseguido extrair seus problemas locais das suas demarcações geográficas. Dessa forma, o controle que os governos local e estadual exerceram no passado tornou-se ineficiente, fazendo com que os imigrantes mudassem para um contexto social diferente.
É importante mencionar que os problemas econômicos, políticos e sociais que Oaxaca enfrenta são produto da desigualdade e injustiça social geradas pelos sucessivos governos que são os herdeiros dos invasores europeus. É uma questão de envelhecer antigos problemas que têm sido gerados há séculos e que não são produto exclusivo deste governo em particular.
No entanto, o acúmulo de abusos derivado de conflitos por terra, pobreza, falta de apoio na agricultura e corrupção governamental, entre outros fatores, agrava a crise desta administração.
O fato de que o governo tem ignorado ou não tem considerado a opinião das comunidades antes de implementar megaprojetos, como a construção de super estradas (como aquelas que são parte do Plano Puebla Panama ou Projeto Centro-Americano) ou a introdução de infra-estruturas que afetam a população como as do Istmo Tehuantepec (sendo exemplos a super estrada Oaxaca-Istmo-Huatulco e a instalação de geradores de vento em La Ventosa), também forma parte do descontentamento generalizado observado em Oaxaca.
A falta de democracia exibida durante as eleições nas quais as autoridades do PRI, em nível local e estatal, se impuseram através de práticas antidemocráticas, tais como compra de votos ou métodos violentos, foi a ponta do iceberg para o conflito em Oaxaca.
Principais Obstáculos:
- O estado de Oaxaca apresenta altos níveis de pobreza, corrupção e obstáculos à democracia. Desde 2006, tem sido palco de um conflito social ao qual o estado tem respondido com repressão e intransigência.
- A mídia de Oaxaca apenas reproduz a versão que o governo dá dos fatos.
- Existe uma intensa repressão da mídia independente, incluindo ataques a jornalistas.
- As leis de comunicação e radio em nível federal tenta proibir estações de radio comunitárias de operarem.
- Permanece uma grande falta de recursos no estado.
|
Repressão à mídia
Dentro deste contexto, o controle da mídia tem sido estratégico para o governo de Oaxaca. Diversos proprietários da mídia no estado são empresários com laços com o governo. Dessa forma, a mídia apenas reproduz a versão do governo e, portanto, não encontra problema algum. Enquanto isso, a mídia independente e jornalistas tiveram que confrontar a repressão do governo, como foi o caso do diário Notícias "As Vozes e Imagens de Oaxaca", cujos escritórios foram alvo de tiros em 9 de agosto de 2006, deixando 3 feridos.
Desde o início do conflito em Oaxaca, os cidadãos entenderam claramente o papel da mídia. Em 1º de agosto de 2006, mais de 20 mil mulheres de todos os setores da sociedade participaram na "marcha das panelas" (em que elas protestaram nas ruas, batendo panelas). No final da demonstração, as mulheres tomaram a Corporação de Rádio e Televisão de Oaxaca e transmitiram sua própria mensagem na estação de televisão Channel 9.
Eles também tomaram diversas estações de rádio comercial que foram recuperadas mais tarde pelo estado através da força policial.
Durante os dias intensos da revolta popular e em apenas uma semana, sete jornalistas foram feridos enquanto faziam cobertura de eventos. Em 27 de outubro, Brad Will, um jornalista de 36 anos de idade, que estava colocando vídeos da revolta no site Indymedia New York, foi baleado e morto quando filmava um ataque a membros da APPO realizado por grupos armados enquanto eles se abrigavam em uma das barricadas no bairro de Santa Lucía del Camino.
Entre os apontados como envolvidos no assassinato, estão Abel Santiago Zárate, conhecido como "El Chino"; Manuel Aguilar, conhecido como "The Commander"; Juan Carlos Soriano, conhecido como "The Grasshopper"; Juan Sumano e Pedro Camona, apesar de que nenhum deles tenha sido acusado e, na verdade, as autoridades judiciais tenham acabado acusando Juan Manuel Martínez Morena, um membro do APPO.
Em 2 de novembro, durante uma operação policial federal para retomar a cidade, os jornalistas Jorge David Jaramillo Velásquez (fotógrafo do diário mexicano El Universal), Miguel Dimayuga, Germán Canseco (ambos fotógrafos da revista Processo) e Jorge Brindis (do Channel 9 Television).
Mais tarde, outros três jornalistas foram atacados: Mario Mosqueda Hernández, do Centro de Mídia Independente na Cidade do México (Centro de Medios Independientes de la Ciudad de México); Gilardo Mota, do jornal semanal mexicano Opinión; e Alberto López Cruz, fotógrafo do diário local Extra. Juan de Dios Gómez, editor da revista Binigulazaa também foi brutalmente espancado e preso durante a repressão.
Em 7 de abril de 2008, Teresa Bautista Merino e Felícitas Martínez Sánchez, duas apresentadoras indígenas da estação de rádio comunitária Rádio Triqui "A Voz que Quebra o Silêncio", foram mortas por grupos de oposição à autonomia do município de San Juan Copala.
Algum tempo depois, estações de rádio comunitárias foram fechadas, incluindo "Zaachila Radio" (Jun) e a Rádio Comunitária "La Rabiosa" (Ago), a última estação transmitia de Huajuapan de León, na região de Mixteca.
Em 25 de outubro de 2005, Pedro Matias, um correspondente da revista Processo, foi brutalmente atacado depois de ter sido capturado por indivíduos desconhecidos como retaliação ao seu trabalho como jornalista independente.
Apesar do controle ferrenho da mídia de massa, existe um número crescente de rádios comunitárias operadas por organizações indígenas.
Estratégias de Comunicação da FIOB: Dois Casos Concretos
Frente à manipulação de informação durante o conflito de 2006, a FIOB, como participante do movimento da APPO, aproveitou-se das novas tecnologias para gerar a sua própria rede de comunicação através do uso da internet, aparelhos de celular e vídeos na internet.
Imediatamente depois da repressão de 14 de junho de 2006, os membros da FIOB em Los Angeles, bem como pessoas de diversas comunidades de Oaxaca em todo o sul da Califórnia, participaram de marchas e protestos que findaram no consulado mexicano da região.
Irritados com a violência realizada pelo Estado contra o povo de Oaxaca, os imigrantes levantaram suas vozes e a eles se juntaram várias organizações de esquerda na região de Los Angeles.
As mobilizações começaram com apenas umas poucas pessoas. Contudo, a FIOB começou a trazer a atenção da mídia aos protestos, os quais receberam, logo em seguida, cobertura dos jornais, rádio e canais de televisão locais.
Uma das marchas foi formada por uma média de 500 pessoas que andaram da igreja St. Thomas em Koreatown, Los Angeles, até o consulado mexicano.
A participação da comunidade de imigrantes cresceu ao ponto que, em outra assembléia, eles decidiram criar a APPO-Los Angeles. No entanto, as diferentes comunidades que se juntaram acabaram readotando suas identidades particulares, então as atividades foram retomadas pela FIOB.
Como parte da estratégia, eles mantiveram contato telefônico com os líderes da APPO, que os mantiveram atualizados sobre a situação em Oaxaca. Os imigrantes de Oaxaca demonstraram sua solidariedade através dessas comunicações, unindo-se ao canto repetido de slogans de solidariedade. Alguns dos presentes gritavam os slogans entre lágrimas.
As demonstrações foram acompanhadas de bandas das cidades de Oaxaca que tocaram suas conhecidas e tradicionais músicas, como a Música da Mixteca, que, para muitos, é o hino oficial dos imigrantes de Oaxaca.
Em dezembro de 2006, uma manifestação foi realizada em frente ao consulado mexicano em Los Angeles e uma APPOsada (de "posada", um feriado celebrado no México em dezembro, ao estilo APPO) na igreja St. Cecilia em Santa Monica. A celebração incluiu várias atividades culturais e demonstrações protestando as mortes (uma média de 26) causadas pela repressão em Oaxaca.
Nesse caso, como em muitos outros, a FIOB empregou uma estratégia direcionada à mídia de massa e à mídia alternativa. Foram emitidos comunicados, realizadas conferências de imprensa, monitoramento das informações publicadas nos eventos em Oaxaca pela mídia, para compará-las ao que estava realmente acontecendo do lado de fora, e continuaram a manter a mídia informada.
Essas estratégias reforçaram e complementaram as estratégias gerais da organização tais como mobilizações.
Além das campanhas de mídia, a FIOB realizou assembléias comunitárias em nível local como no caso do movimento da APPO. Centolia Maldonado, coordenador da FIOB na região de Mixteca, explicou que, devido à distorção e manipulação dos fatos e a flagrante má comunicação que ocorreu em nível local, eles foram compelidos a visitar cada comunidade para informar as pessoas sobre a verdade do que estava acontecendo em todo o estado.
Força Organizada
Nos dois últimos anos, o governo de Ulises Ruiz manteve uma linha dura contra as organizações que participaram do movimento da APPO e contra os que continuam a lutar por seus direitos.
Frente a essa situação, a FIOB planejou e levou à frente um dia binacional de mobilizações em 11 de novembro de 2008. Em Oaxaca, uns 400 representantes de comitês comunitários da Região Mixteca, pessoas de Central Valley e do Istmo viajaram até a capital do estado em caravanas. Lá, eles fizeram uma marcha aos gabinetes do governo, obrigando os representantes governamentais, liderados pelo Secretário de Interior, Manuel García Corpus, a abrir uma rodada de discussões para atender às necessidades das comunidades.
Essa marcha foi reforçada por protestos simultâneos nos consulados mexicanos em Los Angeles, Oxnard e Fresno, Califórnia.
Como resultado dessa mobilização binacional, a FIOB concordou em fazer uma reunião com o governo de Oaxaca em 20 de fevereiro de 2009, além das numerosas reuniões preparatórias com diferentes departamentos governamentais. A FIOB assinou uma carta de acordo para acompanhar o cumprimento das exigências estabelecidas.
A FIOB também pediu por respeito aos acordos assinados em 2008 e apresentou as demandas para 2009, em sua maioria, relacionadas a programas sociais como o "Piso Firme".
A FIOB também exigiu a prestação de contas por parte do município de Santo Domingo Zanatepec, localizado na região do Istmo Tehuantepec, já que diversas comunidades pertencentes ao município tomaram as agências municipais em protesto à recusa à liberação de fundos da agência 28 (fundos alocados para cobrir o custo de infra-estrutura como prédios comunitários, ruas, eletricidade, água potável, etc.) e agência 33 (apoio a escolas e centros de saúde entre outras coisas).
Em uma visita a várias comunidades imigrantes nos Estados Unidos, em abril de 2008, o coordenador do estado da FIOB, Bernardo Ramírez, e o coordenador da Região Mixteca, Centolia Maldonado apontou que entre as questões que precisavam ser resolvidas para os imigrantes estava a falta de certidões de nascimento ou documentos de identidade.
Muitos imigrantes cujos filhos nasceram no México e mais tarde emigraram para os EUA sem terem sido registrados, não tinham documentação, o que significou que as crianças não foram reconhecidas como cidadãos de nenhum dos dois países. Essa situação tornou-se especialmente problemática quando os pais tentaram registrar seus filhos em escolas.
Como resultado, a FIOB esta tentando persuadir a Agência de Registro Civil de Oaxaca a mandar representantes para áreas em que um grande número de imigrantes com problemas similares estão localizados para dar-lhes a oportunidade de fazer o registro sem ter que retornar as suas comunidades de origem.
O Impacto da Recessão Americana
Outra exigência da FIOB ao governo é que se coloque em prática programas de desenvolvimento sustentável em resposta à pobreza existente na região, que é intensificada pelo retorno de imigrantes que são deportados como parte de fiscalizações massivas ocorridas nos EUA.
Embora não haja registro dos indivíduos que tenham retornado às suas comunidades de origem, ultimamente, existem evidências de um fenômeno em que imigrantes deportados são negligenciados e, então, vão para San Quintín, Baixa Califórnia, ou voltam para suas comunidades, para logo em seguida tentar cruzar a fronteira outra vez, apesar do risco que há em retornarem como imigrantes ilegais.
O impacto econômico da recessão nos EUA é mais evidente em mercados regionais devido ao fato de que até recentemente essas pessoas eram dependentes do recebimento de coisas tão básicas como comida; além disso, a quantidade de alimentos básicos produzidos em nível local diminuiu, o que poderia resultar em uma crise alimentícia. Há uma necessidade por projetos produtivos que permitam imigrantes permanecer em suas comunidades quando eles retornam.
Enquanto o governo não produz uma resposta concreta à situação, a FIOB tem conseguido colocar a questão na agenda pública, demonstrando, mais uma vez, a sua habilidade de expor os principais problemas das comunidades, que, por décadas, têm sido os alicerces da economia mexicana.
Uma parte importante dessa estratégia ativista é a margem de acesso que a FIOB consegue através da sua campanha de mídia, do nível local ao internacional. Minutos após a publicação de um dos seus comunicados, o mesmo foi postado pela Ukhampacha, um site de notícias que cobre o movimento indígena na Bolívia (http://ubnoticias.org).
Existem apenas alguns exemplos da maneira pela qual membros imigrantes migrantes da FIOB que estavam apenas alguns anos antes de viverem em comunidades isoladas nas montanhas mais remotas de Oaxaca, conseguiram utilizar estratégias de comunicação e mídia (das mais simples às mais sofisticadas) para trazer visibilidade à sua luta por direitos econômicos, políticos e humanos.
Bertha Rodríguez Santos é uma jornalista independente de Oaxaca e coordenadora de Comunicação Binacional da FIOB (http://fiob.org/). Este artigo é parte de uma série financiada por WACC e publicada pelo Programa das Américas (www.americaspolicy.org).