Nota aos nossos leitores:
O Programa Política das Américas tem o prazer de anunciar o lançamento de uma nova série de Perfis de Ação Cidadã em projetos bem-sucedidos de comunicação de base, apoiados pela Associação Mundial de Comunicação Cristã (World Association for Christian Communication, WACC). Este abrangente relatório sobre reportagens ambientais no México detalha os obstáculos ambientais que os repórteres enfrentaram ao trazer à tona a grave crise ambiental encarando a nação e os corajosos esforços de um grupo dedicado de repórteres mal pagos e mal reconhecidos. Escrito pelo colaborador de longa data das Américas, um pioneiro no movimento, descreve não apenas os problemas que eles enfrentam, mas também as estratégias que eles têm seguido para alcançar vitórias importantes.
Estamos confiantes que esta informação será útil para repórteres ambientais e movimentos em todo o hemisfério, já que eles procuram melhorar as informações sobre meio-ambiente. O trabalho deles constitui uma ligação crítica na cadeia entre informação e ação cidadã para melhorar as condições em nossas comunidades e salvar um planeta que enfrenta ameaças de crescimento à sua sobrevivência.
Por favor, escreva-nos e dê a sua opinião sobre essa série e divida as suas próprias experiências. Como Talli afirma neste artigo, através de ações conjuntas, formação de redes para compartilhar as melhores práticas, e força em números nós podemos progredir até mesmo em situações adversas.
Muito antes de o impacto negativo da humanidade na mudança climática global ter se tornado uma força unificadora para os defensores da justiça ambiental, jornalistas mexicanos começaram a unir-se para despertar a consciência sobre questões ecológicas. Motivados pelas mesmas informações que reuniram, eles procuraram compartilhar seus conhecimentos sobre o campo de escolha de recursos naturais com pessoas cuja saúde e qualidade de vida são afetadas por isso. Mas eles estão enfrentando as adversidades. Então, eles recorreram à ação coletiva como uma forma de construir um movimento por melhores coberturas sobre desenvolvimento sustentável – de baixo pra cima.
A história do jornalismo ambiental mexicano contemporâneo data de aproximadamente 15 anos atrás. A vocação emergiu 30 anos depois que o tema foi incorporado à mídia dos Estados Unidos. O reconhecimento da necessidade de se cobrir questões sobre o meio-ambiente no México surgiu na véspera do século XXI, por volta da mesma época da participação do México nas diretrizes da Cúpula da Terra da ONU no Rio de Janeiro (Eco 92). Também foi na mesma época em que o país entrou para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do advento do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e seu acordo ambiental concomitante, e a criação do primeiro ministério mexicano de meio-ambiente em nível de gabinete. O aparato multilateral fez com que o governo se comprometesse internacionalmente a proteger o seu ecossistema. Ao mesmo tempo em que compeliu a integração econômica e política em negociações internacionais, essa medida também ajudou a levantar o ativismo ambiental mexicano de base.
Muitos jornalistas consideraram o grau alarmante de degradação ambiental do país motivo suficiente para pegar o teclado, a câmera ou o microfone. A partir de então, eles passaram a ter novas fontes oficiais para reportar. Além disso, depararam-se com uma fonte de histórias e opiniões de especialistas nas crescentes multidões de advogados por ar, água e solo limpos; proteção da saúde reprodutiva; garantia de comida e energia; conservação de florestas e da biodiversidade; igualdade de gêneros; comércio justo; desenvolvimento sustentável; auto-determinação local; e prestação de contas de governamentais, corporativas e financeiras.
Os ranques representavam uma litania de males: a Cidade do México tinha a pior qualidade de ar urbano do mundo. O país tinha uma das mais altas taxas de desmatando florestal. Dois terços do solo estavam significativamente erodidos. A desertificação cresceu enormemente. Menos de 35% do esgoto dos municípios era tratado. O depósito de lixo estava fora de controle. As autoridades e a população não tinham nenhuma figura confiável para água potável disponível e recursos florestais, ou para fontes e quantidades de dejetos industriais tóxicos. A especulação do mercado de imóveis no início da privatização de terras do eiido (terras comunais) estava fazendo aumentar a migração, degradação de habitat, e ameaças a espécies em perigo. Os bancos não emprestavam para empreendedores locais interessados na conservação. A falta de leis, regulamentações, e obrigatoriedade permitiu a pesca e outros contrabandos de animais selvagens. A bio-prospecção e a bio-pirataria ameaçaram a cultura indígena do país e a vasta diversidade da flora e da fauna. Explosões populacionais passadas ainda estavam sendo sentidas na forma de pressões de recursos.
Além disso, o modelo de integração econômica e políticas de abertura e de livre comércio transformaram cidades fronteiriças do norte e outras em capachos absorvendo o tráfico sem compensação pelo desgaste e pela destruição da infra-estrutura ambiental. Os privilégios vulneráveis garantidos ao investimento multinacional e comerciantes de bens de consumo trouxeram espécies invasivas para contaminar a cadeia alimentar, sendo não menos graves os organismos geneticamente modificados. Os combustíveis fósseis e a produção de energia nuclear estavam poluindo o ar, a terra, os rios, e mares. A produção, o uso e o armazenamento descuidados ilegais de pesticidas estavam entre as muitas contribuições para a completa ameaça da saúde pública. Acidentes industriais e desastres naturais estavam tendo efeitos ainda piores para a segurança pública.
Isso proporcionou bastante material jornalístico. No entanto, a maioria dos editores e diretores de mídia, na época, recusou-se a abrir os olhos, ouvidos, e espaço de notícias para preocupações com a conservação. Tanto que começaram a surgir os primeiros projetos jornalísticos ambientais independentes. Com isso, começaram a ser realizadas oficinas e cursos provendo auto-ajuda mútua para jornalistas ambientais em ascensão e, eventualmente, para a formação de uma organização nacional, a Rede Mexicana de Jornalistas Ambientais (Red Mexicana de Periodistas Ambientales, Rempa).
Fundada em 2004, a Rempa está lutando para estabelecer raízes fortes o suficiente para alcançar os seus objetivos, que vai de "treinamento permanente para jornalistas em assuntos ambientais" até a "produção de materiais... que contribuam para o avanço e expansão do jornalismo ambiental no México." Seus atuais e visualizados programas buscam fortalecer as necessidades dos membros para profissionalizar a sua fonte jornalística, e assim informar a opinião pública sobre as pressões pela obtenção de recursos. A solidariedade de jornalistas e fundações no exterior é um recurso importante nesse momento crucial no desenvolvimento da Rempa. Seu futuro sucesso depende da consolidação dos muitos ganhos conseguidos até então.
Condições Adversas
Teoricamente, meio-ambiente e sustentabilidade deveriam ser temas interligados que modelassem as questões por detrás das matérias de todas as fontes jornalísticas. Mas como esse campo praticamente não tem um assento na mesa de redação, como gênero ou problemas de igualdade racial, ele se precisa amadurecer em seu próprio nicho por enquanto.
Para os jornalistas ambientais que tentam estabelecer esse assento, um dos principais obstáculos, inicialmente, foi a falta de tecnologia de comunicação. Telefones celulares, computadores pessoais, e internet estavam apenas começando a surgir em cena no México nos anos 90, então a caça por entrevistas e a realização de investigações fora da esfera urbana oficial e corporativa era como um jogo de azar. O cenário mudou para melhor, mas continua a plenitude de barreiras estruturais. Hoje, a mídia para matérias ambientais é limitada e centralizada, tanto politicamente como geograficamente, especialmente na indústria televisiva. As opções para jornalistas ambientais e outros jornalistas pioneiros continuam sendo poucas.
O problema do acesso tanto para jornalistas ambientais como para o seu público é agravado pela histórica falta de responsabilidade governamental e corporativa no México. Nos primórdios do jornalismo ambiental, o México não tinha nenhum sinal de leis de transparência, que tipicamente requer que servidores civis e agências públicas coletem e disponibilizem informações, incluindo a maioria dos registros e decisões. Considerando o clima legal, oficiais e porta-vozes de empresas nunca desenvolveram o costumo de atender as ligações e e-mails de jornalistas ou de retornarem as suas mensagens telefônicas e eletrônicas. Em uma pesquisa com jornalistas ambientais conduzida por Susana Guzman, natural da Cidade do México, no Knight Center for Environmental Journalism (Centro Knight para Jornalismo Ambiental), um quarto dos entrevistados afirmou que um dos maiores problemas que enfrentam é a falta de acesso a informações públicas. Dez por cento disse que a falta de informações confiáveis é o principal problema, e 14% reportou a completa falta de informações. A maioria das informações, sobre qualquer coisa desde estatísticas de vida até registros de poluição, não são mantidas em bases de dado eletrônicas de fácil acesso.
Mesmo ganhando acesso à pouca informação que está funcionalmente categorizada, permanece um problema espinhoso. Servidores civis com baixos salários esperam boas gorjetas para ajudar os pesquisadores a encontrar registros públicos. O domínio das instituições financeiras internacionais no desenvolvimento econômico e seus capitães domésticos corruptos asseguram que os fundos não estejam disponíveis para resolver os déficits orçamentários que estão por trás disso.
Os 71 anos de domínio de um sistema unipartidário, que estava intacto desde 2000, criaram um poder presidencial não controlado pelo equilíbrio do Congresso, do Judiciário, e do Quarto Poder. Em meio a isso tudo, este último – também conhecido como mídia de comunicações – adaptou-se, afastando-se das suas responsabilidades de vigilância e reportagens investigativas para seguir a agenda política estabelecida pelo partido através das conferências de imprensa e conversas telefônicas reservadas. Apesar da tendência em direção a menos conflitos entre a mídia e o governo, a cobertura ainda é altamente inclinada para a política pura, e as agendas são estabelecidas pelas elites políticas.
Jornalistas ambientais estão entre os que mais sofrem com as dificuldades típicas e comuns que todo tipo de jornalista enfrenta. Por exemplo, baixos salários e salas de redação com pouco pessoal implica em cargas de trabalho pesadas em detrimento do tempo e da habilidade dos empregados para tratar os temas a fundo. Cerda de um terço dos entrevistados por Guzman ganhava menos de US$4, 000 por ano, um terço ganhava de US$9,000 a US$12,000, e um terço de US$13,000 a US$16,000.
Espera-se que um repórter seja aprendiz de tudo e mestre de nada. Até mesmo fontes padrão tão importantes como educação e saúde recebem pouca cobertura; a fonte ambiental, menos convencional internacionalmente, não existe na maior parte da mídia mexicana. A pesquisa de Guzman mostrou que até mesmo entre os melhores jornalistas ambientais, 90% foram encarregados de uma variedade de fontes. Apenas 70% gastaram mais de 75% do seu tempo com matérias ambientais. Cerca de 34% gastou menos de um quarto do seu tempo com as mesmas. Em contraste, um terço dos repórteres ambientais dos EUA gastou mais de 75% do seu tempo com a o tema ambiental.
Com frequência, os diretores não estabelecem seções de meio-ambiente nem mesmo aceitam propostas para matérias ambientais. Quinze por cento de todos os entrevistados na pesquisa alegaram que a falta de recursos é o seu principal problema. Outros 14% disse ser a falta de espaço para suas matérias. Enquanto isso, a tendência a reduzir pessoal cria uma tensa situação de seguridade trabalhista, incluindo dispensas de repórteres ambientais assim como de outros. Futuros repórteres podem desistir de receber qualquer pagamento pelo risco de andar entre montes de lixo tóxico ou respirar ar com fuligem durante a pesquisa de matérias ambientais.
Claro que a única e maior dificuldade para a prática de qualquer tipo de jornalismo no México é que o país o segundo depois do Iraque entre os países mais perigosos do mundo para jornalistas. A vida dos repórteres está constantemente em risco, independente do tema que estiverem tratando, devido à ilegalidade produzida principalmente pela guerra das drogas. As estações de rádio comunitárias, algumas das melhores disseminadoras de notícias ambientais, passaram a sofrer ataques pesados. Como estão entre as mídias mais indefesas tanto economicamente como politicamente, autoridades descontentes conseguiram obrigá-las a fechar, e chefes locais poderosos perseguem, atacam, ou assassinam comunicadores. Além disso, há o fato de que jornalistas ambientais recebem todo tipo de ameaça dos poluidores expostos em seus artigos, desde processos de calúnia e difamação a aprisionamento. Então, para tornar a questão ainda mais estarrecedora, membros do pessoal de alguns dos maiores periódicos são proibidos pela política da empresa a fazer parte de associações profissionais.
Em face de tal adversidade, é um mistério como tantos repórteres mexicanos corajosos mantêm o seu compromisso com a sua profissão e com a cobertura de questões ambientais. No entanto, alguns dos representantes de mídia mais motivados e altruístas dedicaram suas vidas para expandir, melhorar, e proteger o tema ambiental insistindo em coberturas, aproveitamento de oportunidades de treinamento, e participação de redes de apoio.
Jornalistas Tomam Medidas
Obstáculos: Adversidades
- Tecnologias de comunicação atrasadas em relação às necessidades dos jornalistas.
- As empresas de mídia estão centralizadas geográfica e politicamente.
- O país não tem tradição de governo aberto.
- Ainda não há um conceito de contabilidade corporativa.
- O Quarto Poder é fraco na política mexicana.
- A gestão de notícias permite que os políticos dominem os espaços disponíveis.
- Há pouca cobertura sobre temas básicos, como estatísticas de vida, saúde, educação.
- Os editores dão pouca importância ao tema ambiental por não ser convencional.
- Os jornalistas sofrem ameaças de traficantes de drogas, de detratores corporativos, e da poluição.
- Ataques surpresa armados fecham estações de radio comunitárias.
- O corte de pessoal conspira contra investigações profundas.
- Baixos salários e carga horária excessiva requerem a multiplicidade de tarefas.
- As políticas das empresas proíbem a participação em organizações profissionais.
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Partindo de plataformas de projetos individuais, os jornalistas ambientais logo perceberam que eles precisam uns dos outros para ganhar reconhecimento para o seu campo de atuação, necessário para serem eficazes em informar os seus públicos. Sozinhos, nenhum dos projetos poderia ter um grande impacto, mas a soma das partes contribuiu para uma maior presença e uma melhor qualidade das notícias e análises sobre o meio-ambiente.
O Jornalismo para Elevar a Consciência Ambiental (Periodismo para Elevar la Conciencia Ecológica, PECE) foi o primeiro projeto independente para pressionar por mais e melhores coberturas de mídia de massa nessa área. Em 1994, o PECE deu início a uma série de três anos chamada "Meio Ambiente: México" ("Environment: México") com apoio da Fundação MacArthur. Fundada pelo veterano fotojornalista Miguel Angel Torres e seu escritor, o PECE buscava proporcionar reportagens investigativas e fotografias sobre projetos de desenvolvimento sustentável básico, reconhecendo os papéis de liderança das mulheres no campo. O projeto logo começou a publicar importantes artigos sobre os aspectos do meio-ambiente mexicano em espanhol e inglês no Los Angeles Time Syndicate, United Press International, Women's Feature Syndicate, e no El Financeiro, entre outros.
Além de demonstrar a profundidade e a extensão do ambientalismo em todo o país em seu contexto internacional, o projeto apresentou ao público as posições das pessoas e de outros seres vivos que ficam marginalizados da cobertura cotidiana da mídia. Isso evoluiu até se tornar uma conduta para jornalistas ambientais internacionais compartilharem experiências com membros da imprensa doméstica, oficinas, sessões de treinamento, bolsas de estudo, e construção de organizações. A oficina mais recente ocorreu em Mazatlán, Sinaloa, entre 10 e 11 de dezembro de 2007, em colaboração com o Centro de Pesquisa em Alimentação e Desenvolvimento (Centro de Investigación em Alimentación y Desarrollo, CIAD) local e com a Fundação Sinaloa Ecoregion.
O PECE compilou centenas de reportagens investigativas e outras matérias ao longo dos anos, variando o assunto desde iniciativas para impedir a caça ilegal de animais selvagens até projetos para reverter os efeitos negativos à saúde dos gases causadores do aquecimento global descarregados por usinas de combustíveis fósseis. Os maiores publicadores ambientais nos Estados Unidos e Inglaterra rejeitaram a proposta do PECE de um livro sobre ações dos cidadãos para o desenvolvimento sustentável, com a justificativa de que o seu foco em ativistas mexicanos não se encaixava nas suas categorias prioritárias. O pessoal do PECE, assim como outros jornalistas ambientais, foi forçado a aceitar a filosofia presente no prefácio escrito na prisão pelo vencedor do prêmio Goldman Environmental, Rodolfo Montiel Flores: "Se a minha situação está ajudando muitas pessoas a acordarem a fazerem alguma coisa para nutrir a vida e futuras gerações, então eu considero que eu estou sendo bem recompensado."
Como um projeto jornalístico para a promoção de um causa, o PECE se encaixa como a última peça do quebra-cabeça no movimento ambiental mais amplo. Na metade dos anos 90, tornou-se membro da organização nacional União de Grupos Ambientalistas (Union de Grupos Ambientalistas, Ugam). Seu status como parte do movimento foi reconhecido com convites a falar para organizações não-governamentais do Canadá ao Chile sobre a base do ambientalismo, acesso a informações sobre o meio-ambiente, e a ascensão do jornalismo ambiental no México. O convite mais recente foi para a Quarta Reunião sobre o Meio Ambiente, organizada pela Rede Fronteiriça de Saúde Ambiental (Rede Fronteriza de Salud Ambiental, RFSA) em abril de 2008.
Os artigos do PECE se expandiram e se alimentaram dos esforços de outros publicadores sem fins lucrativos para fortalecer as agendas ambientais dos cidadãos em múltiplos fóruns de mídia, com os do Programa das Américas do Centro de Relações Internacionais (agora um projeto do Centro para Política Internacional) e do Laneta.org.
Os primeiros anos do jornalismo ambiental mexicano viram o nascimento de agências especializadas que ainda proporcionam alguns dos poucos espaços para informação ambiental, como o site vencedor de prêmio Planeta.com, que enfatiza o turismo ecologicamente responsável; o Centro Norte-Americano para Comunicação e Informação Ambiental (CICEANA), sem fins lucrativos, sediado na Cidade do México, que também foi fundado no início dos anos 90, para canalizar fundos governamentais e internacionais para eventos e projetos relativos ao meio-ambiente mexicano. Planeta e PECE participaram do fórum do CICEANA na Cidade do México, em 1997, sobre comunicação de informações ambientais, intitulado "Futuros Desafios." As três organizações também participaram de uma série de feiras ambientais em todo o país.
Os projetos empreendedores ajudaram a convencer a mídia principal a estabelecer fontes e seções ambientais, e periódicos inteiros dedicados ao tema.
Entre os poucos jornalistas que deram o pontapé inicial para o jornalismo ambiental dentro da mídia estabelecida estava Ivan Restrepo, cuja coluna sobre opinião ambiental e o suplemento Jornada Ecológica apareceram nas páginas do diário nacional La Jornada desde 1991. José Luis Guerra criou o Ecocidio, o primeiro programa de rádio sobre meio-ambiente e ecologia, que foi ao ar na Rádio RED, a maior estação de notícias do México. Sua assistente era Guzman, que chegou a dirigir a programação ambiental da Televisa, a maior emissora de televisão, antes de completar a sua tese de graduação sobre jornalismo ambiental mexicano na Universidade Estadual de Michigan em 2004. Enquanto esteve lá, ela estabeleceu o primeiro site e fórum eletrônico (Periodismo Ambiental em Línea, PALnet) para jornalistas ambientais de língua espanhola, com apoio do Centro Knight para Jornalismo Ambiental, sob a direção de Jim Detien, que, por sua vez, é fundador de duas associações profissionais de jornalismo ambiental internacional, a Sociedade de Jornalistas Ambientais (Society of Environmental Journalists, SEJ) e a Federação Internacional de Jornalistas Ambientais (International Federation of Environmental Journalists, IFEJ).
Repórteres pioneiros como Angelica Enciso, Guillermina Guillen, Lourdes Rudiño, e Ivan Sosa abriram espaços para a cobertura sem precedentes sobre o meio-ambiente nos principais diários nacionais, incluindo o La Jornada, El Universal, e o El Financiero. Em 1994, quando o diário El Norte de Monterrey eu origem ao diário nacional Reforma, que se formou com um compromisso de fazer reportagens ambientais, designando repórteres regularmente para cobrir questões ambientais, e publicando uma página semanal sobre as mesmas. Também fundada em 1994, a Teorema Ambiental foi a primeira revista em papel brilhoso sobre questões ambientais no México e continua a fazer publicações mensais a partir da capital. Originalmente em inglês e agora também em espanhol, o boletim mensal EcoAmericas, de Los Ageles, Califórnia, tem abordado questões ambientais e sobre desenvolvimento do México e do resto da América Latina desde 1998.
Quando a Rempa foi formada, o programa de rádio independente Planeta Azul já havia nascido e logo se transformou em um site com o slogan "Jornalismo Ambiental do México para o Mundo" (Periodismo ambiental desde México para el mundo). O programa saiu do ar, mas o seu fundador Eduardo Viadas acabou aceitando o cargo de oficial de mídia na trinacional Comissão Americana para a Cooperação Ambiental (North American Commission for Environmental Cooperation, CEC), estabelecida pelo NAFTA. Essa foi a primeira nomeação de um representante da mídia mexicana para o cargo, o que gerou a esperança de que a organização se tornaria mais eficiente em seu alcance com relação ao parceiro mais ao sul do NAFTA.
O Fundo para Comunicação e Educação Ambiental (Fondo para la Cominucación y la Educación Ambiental, FEA) estava entre os primeiros canais filantrópicos mexicanos a se envolver com o fortalecimento do jornalismo ambiental. O FEA patrocinou uma bolsa de estudos de reportagem de desenvolvimento sustentável e ofereceu diversas sessões de treinamento.
O Centro Internacional para Jornalismo (International Center for Journalism, ICFJ) e os Programas Ambientais contribuíram com a realização de sessões de treinamento em jornalismo ambiental sobre desenvolvimento costeiro sustentável, florestal, e qualidade do ar em Uruapan, Michoacan; Chetumal, Quntana Rôo; La Paz, Baja Califórnia Sur; Hermosillo, Sonora; e Cidade do México. Esse esforço vinculou-se a várias bolsas de estudos e concursos patrocinados pelo ICFJ e outros parceiros para encorajar e inspirar o jornalismo ambiental.
A Rempa foi originada em um seminário sobre reportagem de qualidade do ar da ICFJ em janeiro de 2004, na Cidade do México, no qual a agenda incluiu uma discussão sobre a possibilidade de um fórum permanente para jornalistas ambientais mexicanos. Outros patrocinadores do seminário foram o Centro Knight para Jornalismo Ambiental, na Universidade Estadual de Michigan, o Centro Knight para Jornalismo nas Américas, na Universidade de Texas-Austin; Periodistas de Investigación, o afiliado mexicano do Repórteres e Editores Investigativos (Investigative Reporters and Editors, IRE); Bolsas de estudos de Jornalismo Ambiental da Fundação Ford, e o Centro de Transporte Sustentável da Cidade do México.
No momento, cerca de 70 repórteres de jornais estavam praticando o jornalismo ambiental no México, de acordo com a pesquisa de Guzman. Quarenta jornalistas ambientais estavam no seminário. Sessenta concordaram em participar do experimento. O site PALnet de Guzman e seu fórum eletrônico na Universidade Estadual de Michigan tornaram-se os elementos fixadores da organização. Eles criaram uma comunidade virtual que transcende distâncias geográficas e facilita a troca de informações.
A Rempa logo recebeu uma colaboração da Sociedade para Jornalistas Ambientais quando a mesma patrocinou membros da Rempa para participarem das suas reuniões anuais, proporcionando um espaço importante para formação de redes de profissionais e um modelo para a nova organização. Os fundadores da SEJ explicaram aos membros da Rempa como eles atraíram 1400 membros usando uma combinação de doações de fundações, patrocínio de universidades, contribuições de empresas de mídia, receita de quotas e tarifas por serviços (incluindo aluguel do espaço de exibição e anúncios, e aluguel de uso individual da lista de endereços e distribuição de e-mails), e ganhos de donativos individuais para um fundo donativo para patrocinar brilhantes e empolgantes conferências anuais de uma semana de duração, um grande número de eventos regionais, publicações únicas, serviços online, prêmios, e treinamento de salas de reunião.
Na reunião da SEJ em Austin, em 2005, seus líderes planejaram uma estratégia trans-fronteiriça e uma sessão para o estabelecimento de uma agenda. Os participantes expressaram a necessidade de a Rempa ter uma reunião organizacional para se formalizar como um grupo sem fins lucrativos. Posteriormente, a SEJ desenvolveu um plano de trabalho que incluiu o financiamento da primeira reunião organizacional da Rempa em Boca del Río, Veracruz, de 26 a 27 de maio de 2007.
O plano de trabalho era parte do Programa de Diversidade da SEJ, que se concentra em expandir os serviços em espanhol da organização, de acordo com o Plano Estratégico da SEJ para 2006-2008. A reunião organizacional da Rempa se deu dentro das prioridades do programa Iniciativa da América Latina, que é projetado "para reforçar a qualidade, precisão, e visibilidade das reportagens de notícias ambientais na mídia de língua espanhola nos Estados Unidos e em toda a América Latina." Ela prevê "melhores relações e novas oportunidades de treinamento para jornalistas além das fronteiras da geografia e dos idiomas, e mais cobertura de notícias de questões ambientais em áreas de interesse para os jornalistas de língua espanhola na América Latina e nos Estados Unidos e para o seu público.
A Rede de Jornalismo sobre a Terra (Earth Journalism Network, EJN) fez a sua primeira oferta de ajuda financeira para o coletivo da Rempa. Os membros só aceitaram o dinheiro depois de conseguir levantar algumas quotas por si próprios para verificarem se o interesse na organização era generalizado, o que provou ser verdade quando membros potenciais pagaram o equivalente a US$20 como um pré-requisito para comparecerem à primeira reunião organizacional nacional.
Na reunião, três anos após a fundação da Rempa, os participantes alcançaram os objetivos de eleger o primeiro conselho de diretores do grupo e aprovar a sua declaração de objetivos. Apresentações de especialistas realizadas nos eventos lhes proporcionaram conteúdo suficiente para desenvolver matérias sobre desenvolvimento costeiro, florestal, sobre segurança nuclear, e cooperação geográfica. O debate foi seguido pela primeira reunião do conselho de diretores e o reconhecimento do status de organização sem fins lucrativos.
O Fundo Mexicano para a Conservação da Natureza (Fondo Mexicano para la Conservación de la Natualeza, FMCN) doou uma parte considerável do orçamento da primeira reunião organizacional da Rempa. Além da SEJ, da EJN e do FMCN, outros patrocinadores da primeira reunião organizacional foram o Centro de Pesquisa Tropical da Universidade Veracruz, o ICFJ, o Conselho Civil Mexicano para a Silvicultura Silvestre (Consejo Civil Mexicano para la Silvicultura Silvestre, CCMSS), e a Fundação Ford no México.
O apoio da Ford foi bem além da conferência. Depois de receber a explicação da PECE da história, status e necessidades da Rempa e seus parceiros, o Programa de Meio-Ambiente e Desenvolvimento da fundação ajudou a canalizar dinheiro para o equivalente a um ano de atividades. Eles incluíram quatro novos fóruns em todo o país sobre silvicultura comunitária; mais uma oficina em Oaxaca para jornalistas que fazem cobertura de questões de silvicultura; uma produção audiovisual da Rempa sobre silvicultura comunitária; maior presença na internet na área de língua espanhola da SEJ no site; e uma segunda conferência nacional, que aconteceu em Aguascalientes, de 29 a 30 de maio de 2008.
Atraído pelo interesse da Rempa em fazer cobertura sobre temas florestais, a organização sem fins lucrativos Reforestamos México também contribuiu para proporcionar recursos para a oficina de Oaxaca. A Universidade Autônoma de Aguascalientes fez uma parceria com a Rempa para realizar a reunião nacional de 2008. a Comissão Nacional de Silvicultura, um organismo inter-secretarial conhecido como Conafor, organizou uma excursão sobre oportunidades de ecoturismo durante a reunião.
A reunião de 2008 resultou em uma nova relação de integrantes da mesa de diretores e votos renovados para alcançar os objetivos estabelecidos na primeira reunião. Foi dada uma ênfase especial na manutenção e promoção de valores comunitários dentro da organização, tais como o compartilhamento de recursos, a união de esforços, a demonstração de solidariedade, e o encorajamento da tolerância para uma diversidade de visões. Por outro lado, a discussão também ressaltou a necessidade de se desenvolver fontes de ajuda financeira para o grupo e para o jornalismo ambiental individual. O primeiro fórum eletrônico de discussão da Rempa depois que o novo conselho tomou posse em 20 de julho de 2008, foi sobre a melhora da contabilidade interna. Sua primeira ação externa foi uma carta pedindo o fim do fechamento armado de estações de rádio comunitárias.
Inspirados pelo conhecimento de que outros compartilham suas convicções e fortalecidos pela emoção do contato coletivo, os aderentes das redes foram se multiplicando em muitos outros projetos de mídia ambiental. O repórter autônomo Miguel Ángel de Alba, o presidente original da Rempa, deu início ao primeiro blog de jornalismo ambiental, com um foco em mudanças climáticas. Ismael Rojas estabeleceu o primeiro site multimídia dedicado a mostrar eventos da Rempa. De Sonora, Ernesto Bolado fundou uma organização sem fins lucrativos chamada Sumar para conectar grupos ativistas ambientalistas com representantes de mídia.
A consultora de mídia ambiental Claudia Gómez Portugal compilou uma coleção eletrônica de artigos ambientais publicados nas principais mídias para o Centro de Lei Ambiental Mexicano (Cemda), que não tem fins lucrativos. Sob a edição de Olga Rosario Avendaño, o portal de internet de Oaxaca Oloramitierra.com fez da cobertura sobre meio-ambiente uma característica permanente das suas novas categorias. Desde que o diário da Cidade do México El Centro publicou a sua primeira edição em 2007, o mesmo reconheceu o tema ambiental, empregando os repórteres Thelma Gómez e Marco Antonio Martínez García, sucessivamente.
Enquanto cerca de 15% dos mexicanos obtêm suas notícias da mídia impressa, o rádio alcança muito mais incluindo áreas rurais isoladas que não recebem jornais. Projetos locais, públicos e independentes tornaram o rádio acessível para jornalistas ambientais. Julieta Carabaza e Christian Domenech da Faculdade de Comunicação da Universidade Autônoma de Coahuila desenvolveram um programa ambiental, transmitido na rádio universitária e, mais tarde, em estações comerciais. A Radio Bemba FM 661, uma estação apoiada pela comunidade em Hermosillo, Sonora, inclui o meio-ambiente como uma preocupação principal. O programa de rádio "Infosonora", em Hermosillo, combina o meio-ambiente e a perspectiva de gêneros em sua cobertura, em grande parte graças à editora e repórter da Rempa Soyna Daniel. Rádios comunitárias indígenas proporcionaram importantes lugares para a cobertura ambiental, tais como o semanal bilíngue Pájara Pinta na XEETCH 700 AM "La Voz de los Tres Ríos" transmitido por Mireya Jacobi e outros da cidade indígena maia de Etchojoa, Sonora. Em Guadalajara, Jalisto, Jaume Delgado introduziu um programa sobre agricultura e meio-ambiente à Radio Ranchito XEDKT 1340.
Durante esse mesmo período o número de organizações ambientais mexicanas cresceu continuamente. Esses grupos produziram seus próprios materiais escritos, auditivos e visuais para distribuição em ambientes educacionais tanto formais como informais, assim como aumentaram os contatos com as principais mídias. O governo também desenvolveu uma variedade de ferramentas de extensão da mídia em relação ao meio-ambiente.
Grandes Instituições Prestam Apoio e Solidariedade
O Que Funciona
- Assegurar donativos nacionais e internacionais tornou bem-sucedidos os projetos independentes e esforços coletivos.
- Projetos de mídia independentes e públicos aumentaram a quantidade e qualidade da cobertura.
- O uso de espaços na internet para produções multimídia proporciona alternativas à mídia convencional centralizada.
- O uso de novas leis de acesso à informação promove o desenvolvimento dessas ferramentas, e, com isso, um melhor acesso à informação e mais chances de o governo prestar contar e ter responsabilidade corporativa.
- Oficinas têm educado jornalistas e melhorado o profissionalismo nos índices.
- A formação de uma organização profissional proporciona informação, torna públicas as oportunidades, melhora a formação de redes, e dá inspiração.
- A solidariedade de organizações jornalísticas no exterior tem sido crucial para o desenvolvimento da Rempa.
- Uma comunidade eletrônica online virtual com um site e um fórum eletrônico facilita o compartilhamento de recursos.
- Os compromissos verbais em fóruns não-governamentais e universidades ajudam a colocar o jornalismo ambiental na agenda.
- Cartas a autoridades e mídia elevam o perfil dos esforços para defender os jornalistas.
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A maioria dos jornalistas ambientais ficaria feliz com o reconhecimento do seu tema, seguridade trabalhista, e um salário decente. Isso não sendo possível, eles procuram doações, parcerias, e caridade para ajudá-los a organizar e ampliar as vozes daqueles quase sempre ignorados – as vozes da natureza e seus defensores.
A CEC proporcionou apoio significativo pra projetor para aumentar e usar ativamente as ferramentas de acesso para informações ambientais. A comissão engenhou acordos trinacionais para criar Registros de Emissões e Transferências de Poluentes uniformes na América do Norte (North American Pollutant Release and Transfer Registers, PRTRs) para obrigar a indústria a reportar as suas emissões de dejetos tóxicos.
Com o uso do financiamento da CEC, o PECE realizou três oficinas sobre registros poluentes com ONGs ambientais para o público em geral e a mídia. O financiamento também ajudou os ambientalistas e jornalistas mexicanos a implementar uma reforma legal e regulamentos para a transparência total da disposição de resíduos perigosos semelhante a dos Estados Unidos e Canadá. O PRTR mexicano é uma companhia chave para a versão mexicana da Lei de Liberdade de Informação, uma conquista importante da sociedade civil organizada no mesmo período e um benefício aos jornalistas.
A CEC forneceu aos jornalistas ambientais valiosas informações da sua pesquisa sobre questões relacionadas ao meio-ambiente e comércio. A comissão dirige missões de investigações de fatos em resposta às reclamações de cidadãos em relação a falhas de membros do governo no cumprimento das suas leis ambientais. A disseminação na internet do progresso dessas investigações e de outros informes e atividades da organização os transformou em dispositivos de significativa utilidade para os jornalistas ambientais do México.
A EJN realizou uma oficina de jornalismo ambiental em Xalapa, Veracruz, com ênfase na equidade de gênero, e proporcionou financiamento para um jornalista mexicano fazer a cobertura da conferência climática de Bali de 2007.
A SEJ deu à Rempa adesões individuais com desconto para desfrutar dos seus serviços, incluindo a área privada do seu site, seu fórum eletrônico em espanhol, revistas, conferências, e tutoria. Ofereceu suas páginas de internet em espanhol como um fórum para o grupo mexicano, depois que o site da PALnet perdeu seu financiamento e continuou apenas como um fórum eletrônico.
O programa AVINA, que dá financiamento ao jornalismo investigativo na cobertura sobre desenvolvimento sustentável em todas as Américas, deu bolsas de estudo às jornalistas mexicanas Elizabeth Flores e Ana Maria Ávila Sanchez em sua competição de 2006 por suas propostas de reportagens sobre mulheres no comércio justo mexicano e sobre conservação florestal, respectivamente.
O ICFJ e o IFEJ juntaram-se à Conservação Internacional para dar prêmios a reportagens sobre biodiversidade e desenvolvimento sustentável. A agência de notícias Reuters uniu-se à União Internacional para a Conservação da Natureza para dar incentivos com o seu prêmio anual de reportagem ambiental internacional, concedido ao jornalista de Guadalajara e membro da Rempa Augustín del Castillo para a região da América Latina em 2008 com uma exposição no diário Milenio Público sobre especuladores estrangeiros de imóveis causando a extinção da vida silvestre.
Em um esforço sem precedentes para examinar o papel da mídia na prevenção de nevoeiros, o internacional Programa Integrado sobre Poluição do Ar Urbano, Regional e Mundial convidou um painel de jornalistas para a sua Sexta Oficina sobre a Qualidade do Ar da Cidade do México na Cidade do México, de 20 a 23 de janeiro de 2003. Os fundadores da Rempa participaram desse esforço para unir o jornalismo à ciência mais avançada em questões ambientais. Os diretores do programa, o vencedor do prêmio Nobel de Química Mario Molina da Cidade do México e Luisa T. Molina, conceberam o evento em reconhecimento ao papel que os jornalistas podem exercer na mobilização da sociedade civil para proteger o meio-ambiente.
Face ao aumento dos perigos para os jornalistas, o nascente Centro Mexicano para Jornalismo e Ética Pública (Cepet), sem fins lucrativos, e a IRE realizaram uma conferência dos Estados Unidos e México atraindo 100 jornalistas para aumentar a solidariedade entre fronteiras em 2004. A conferência em Nuevo Laredo incluiu um painel sobre comércio de produtos tóxicos chamado "Questões Ambientais de Fronteiras: Idéias e Fontes." Projetado pela membro da IRE Ingrid Lobet, condutora do programa de rádio Living on Earth transmitido na Radio Nacional Pública, foi concebido para motivar os jornalistas mexicanos a fazerem reportagens investigativas sobre assuntos ambientais através da apresentação de sugestões, ferramentas e recursos.
Os membros da Rempa colaboram com os jornalistas ambientais em 15 países através da Rede de Comunicação Ambiental da América Latina e Caribe (Red de Comunicación Ambiental de América Latina y el Caribe, RedCALC), que possui 145 membros e não tem fins lucrativos.
Na frente doméstica, De Alba aceitou oportunidades para falar para centenas de ouvintes sobre a profissionalização do jornalismo ambiental no Programa Ambiental Universitário da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Universidade Guanajuato, e Universidade Ciahuila.
Para Onde Vai o Jornalismo Ambiental?
Premissas Gerais:
- O público da mídia precisa receber informações para elevar a consciência ambiental para poderem mudar as relações de poder que continuam a degradar os seus meio-ambientes.
- Questões sobre meio-ambiente, desenvolvimento sustentável, participação democrática nas decisões, equidade de gêneros, comércio justo, e auto-determinação local devem ser tratadas em todos os assuntos, não isoladas no tema ambiental.
- Até que os diretores e pessoal entendam a importância das questões tratada no tema ambiental, o tema será necessário para chamar a atenção dos leitores para essas questões.
- A consciência dos anunciantes deve ser elevada para apoiar o tema ambiental.
- O acesso público e da mídia à informação deve ser melhorado para que haja um melhor entendimento dos problemas ambientais.
- A lei de liberdade de informação Mexicana e a lei geral de proteção ambiental devem ser reforçadas e estendidas a uma maior aplicação em nível estadual e local.
- O aumento da participação pública informada nas tomadas de decisões deveria ser a questão condutora da cobertura do desenvolvimento sustentável.
- A mídia principal precisa dedicar mais dinheiro, tempo, e espaço a essas questões.
Fundos e Membros:
- A Rempa precisa de apoio para proporcionar ferramentas para mais reportagens investigativas.
- A Rempa precisa convencer os diretores de mídia a apoiar a organização profissional.
- A Rempa deve fazer sérias propostas de arrecadação de fundos para fundações e grupos com interesses similares
- A Rempa deve dar incentivos aos jornalistas ambientais.
Organizacional:
- A Rempa precisa manter e promover valores comunitários dentro da organização.
- Mais membros do fórum eletrônico deveriam tornar-se pagadores de quotas, membros ativos da Rempa.
Administrativo:
- A diretoria da Rempa precisa formalizar o processo de informar os membros sobre finanças e atas de reuniões.
- A Rempa deve obter seus documentos oficiais traduzidos e certificados, assim como estabelecer seu status fiscal.
- A Rempa deve abrir uma conta bancária.
- A Rempa deveria aumentar a sua presença na internet.
- As fundações deveriam apoiar projetos independentes de jornalismo ambiental.
- As organizações internacionais e financiadores nacionais deveriam ajudar a reforçar a Rempa.
- Os governos precisam proteger de ameaças e violência os jornalistas ambientais e as fontes.
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As Tarefas À Frente
Melhorar o jornalismo ambiental implica em adquirir mais fundos para educar os jornalistas a informar o público. Os editores devem ser convencidos de que as notícias ambientais valem a pena. Os anunciantes devem perceber que o que é bom para o meio-ambiente é bom para os negócios para, então, financiarem coberturas. As provisões das novas leis de transparência, em particular a Lei de Transparência e Acesso à Informação Pública, que é a lei de liberdade de informação mexicana, e a Lei Geral de Equilíbrio Ecológico e Proteção Ambiental (LGEEPA), devem ser incorporadas à legislação do estado e testada repetidamente para reforçá-las. O jornalismo alternativo e comunitário, assim como as opções de TV a cabo e internet, como YouTube e blogs, devem ser explorados para combater o estrangulamento monopólico que limita a cobertura sobre o meio-ambiente na TV e, até certo ponto, na indústria radiofônica.
Céticos da eficácia da Rempa duvidam que a associação profissional básica possa realmente realizar tais objetivos. Eles apontam para o fracasso da organização em incluir representantes da mídia em cargos administrativos de nível médio e mais altos, o fracasso em envolver jornalistas da mídia mais prestigiada, e a falta de conhecimento e vigor político entre os participantes. Até os mais ardentes defensores da Rempa se perguntam se a experiência do excesso de trabalho e baixos salários não conspira contra a tarefa de se encontrar tempo e dinheiro para construir a força da organização. Desde a reunião fundadora da Rempa em 2004, o número de usuários do seu fórum eletrônico aumentou para cerca de 250. Porém, o número de membros que pagam quotas aumentou muito pouco. No momento, não há fundos em vista para levar à frente nem mesmo os menores negócios uma vez que o financiamento da Ford acaba em outubro. Um pessoal trabalhando meio período ou a arrecadação de fundos parece estar fora de questão, e os esforços de voluntários são muito irregulares. O panorama é obscuro.
Alguns dizem que a cultura mexicana não tem as éticas de voluntarismo e liderança necessárias para manter o grupo funcionando. No entanto, o mesmo também pode ser dito sobre outras cultuas, e os membros ativos são altamente comprometidos. Eles acreditam que uma frente coletiva seja a única esperança para alcançar os seus objetivos. A sua formação como rede incorporou uma dinâmica independente do financiamento. Existe um grande esprit décor nas linhas. O grupo já aprovou os primeiros testes de uma nova associação, tendo encorajado os esforços individuais dos seus membros e mantido as suas promessas aos seus financiadores. Essas conquistas diferenciam a Rempa de grupos similares latino-americanos que não cumpriram com seus financiadores, perdendo a credibilidade e afundando seus esforços no processo. Os oficiais da Rempa devem continuar a fazer das suas finanças e contabilidades o mais transparentes possível para membros e patrocinadores para evitar qualquer tipo de vacilo.
Na estrada à frente, as qualidades de contabilidade e liderança serão a chave para a habilidade do conselho de diretores de fazer progresso. Mais mulheres deveriam ser promovidas a papéis de liderança para aumentar a igualdade de gêneros e a eficiência organizacional. Antes que a Rempa realmente possa se tornar influente, seus oficiais devem declarar seu status financeiro exato e arrecadar o dinheiro para tornar a Rempa em um projeto permanente. O conselho de diretores precisa encorajar seus membros a usarem uma carta de arrecadação de fundos elaborada durante a gestão do conselho anterior para se dirigir aos editores. Isso fará parte de um esforço crucial para envolver o gerenciamento de mídia na melhora da cobertura ambiental. O conselho precisa assegurar que propostas de financiamento estão sendo feitas não somente em locais de trabalho, mas também para fundações e organizações. Isso é fundamental para proporcionar pelo menos a mínima infra-estrutura para a organização, tão somente um pessoal de meio período.
Membros do conselho precisam criar incentivos para a participação na organização e aumentar o número de submissão de quotas, tais como prêmios de textos e fotografias abertos apenas aos membros. Eles precisam instituir métodos criativos de arrecadação de fundos, como uma agência de oradores e conferências. Campanhas de adesão de membros, especialmente promovendo o envolvimento indígena, devem ser realizadas para aumentar a participação. O acompanhamento de novas e existentes iniciativas é importante. Existem iniciativas pendentes desde 2007 para reuniões na UNAM, Universidade Autônoma de Chapingo, e Universidade de Chiapas. Também requerem acompanhamento das propostas para procurar financiamento de fundações e investidores sociais corporativos promissores, incluindo fontes tão díspares como a ONU, o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), Reforestamos México, e a campanha de responsabilidade social dos fabricantes de calçados Berrendo. Organizações em parceria continuarão a exercer um papel importante na resposta às necessidades identificadas pela Rempa e por participantes de projetos individuais.
A integração econômica, o crescimento populacional, a poluição, a mudança climática, os mega projetos de infra-estrutura, e as decisões de financiamento internacional estão causando impactos ambientais que ultrapassam fronteiras e afetam públicos despreparados para lidar com eles. Tecnologias apropriadas e alternativas seguras e limpas estão disponíveis, mas frequentemente desconhecidas devido à falta de cobertura. Os jornalistas ambientais revelam a origem e o impacto da contaminação na medida em que ela se estende às fronteiras econômicas e geográficas. Eles têm a oportunidade de expor as diversas soluções positivas para a limpeza ambiental que podem ser aplicadas em níveis locais.
Ao fazê-lo, eles seguem o conselho internacional da Cúpula da Terra de 1992 (Eco 92): "Pensar globalmente; agir localmente." Eles seguem a diretriz da Conferência da ONU em Stockholm sobre o Ambiente Humano de 1972 afirmando que é "essencial que a mídia de massa ... dissemine informações de natureza educacional sobre a necessidade de se proteger e melhorar o meio-ambiente." E eles se tornaram colaboradores ainda mais importantes para a evolução da vila global na sua busca por um futuro mais prometedor e mais seguro.
Talli Naumann (talli(a)hughes.net) é uma colaboradora de longa data do Programa das Américas (www.americaspolicy.org), fundadora e co-diretora do Jornalismo para Elevar a Consciência Ambiental, um projeto independente de mídia iniciado em 1994. Este é o primeiro em uma série de Perfis de Ação Cidadã concentrados em Direitos de Comunicação. Gostaríamos de agradecer o WACC pelo apoio à essa série.